Brasília Fashion Festival - Primeiro Dia!
Paula Santana, idealizadora do evento, trouxe a quinta edição de volta ao lugar onde tudo começou, vocês se lembram do primeiro evento, ainda sob a bandeira do Blue Tree?
O tema escolhido para o evento foi: A Bossa é Nossa! Homenagem aos 50 anos da Bossa Nova. Chique e merecida. A estrutura desta vez é menor, assim como o line up de desfiles mas nem por isso menos criativa e atraente.
Assim como da primeira vez, os lounges ficam no subsolo e a sala de desfiles no térreo “obrigando” aos fashionistas subirem e descerem as escadas várias vezes, malhando um pouquinho as pernocas (o que não é nada ruim, já que o verão taí!!). Segredinho: Existe um elevador sim! Só que é mais escondidinho, se você não achar pergunta pra mim que eu te mostro!
Destaque também para a área de business onde o público pode ter contato direto com os trabalhos apresentados na passarela. Ah, existem outros designers participando desta área e o melhor, as peças estão a venda, no estilo: Gostou? Levou! E ainda pode dar pinta de modernoso pelo evento!!
Atraso, atraso, atraso....e enfim Martha Medeiros.
Hum...os fashionistas de Brasília já aprenderam um dos principais ensinamentos (embora quase nunca falado abertamente, praticamente um tabu): evento de moda atrasa sim! Ninguém sabe ao certo o porquê, parece tudo sob controle mas na hora certa aparecem mil probleminhas!! É de praxe, quase clichê! E se você quer parecer moderno e entendido de moda já sabe, nada mais over que ficar reclamando de atraso, viu!? Fala baixinho, só para aquele seu amigo mais próximo!
Começa assim o primeiro desfile do dia. Martha Medeiros abriu o line up e veio cheia de atitude. A coleção foi pontuada por um trabalho artesal que é puro luxo. Inspirada no balneário de Saint Tropez na França na década de 1970 e suas frequentadoras ilustres e refinadas. A abertura é feita por uma ótima seqüência de vestidos fluidos e soltos, alguns com aplicações nas golas e modelo “vestido lenço”, um tomara que caia mais justo e outro de um ombro só dão o toque ajustado da modelagem, todos com pinceladas de tintas criando um efeito que lembra o Tie-Dye.
A segunda parte da coleção vem com modelagem mais sequinha (que pontua o desfile daqui para a frente). Degradés de cores pastéis surgem e aos poucos vão dando espaço para uma versão mais ousada dessa mulher, com ar mais contemporâneo e agressivo, porém com a mesma sofisticação. Logo as cores pastéis são retomadas em looks cheios de detalhe, flertando com um ar rorocó, terminando com um lindo vestido tomara que caia bem trabalhado.
Martha trabalha com artesãs que vivem nas margens do Rio São Francisco e confecceionam a renda usada pela estilista, mais exemplo de trabalho usado para benbeficiar cooperativas. Parabéns Martha!
Isabela Capeto desfila parte da coleção apresentada em São Paulo.
A estilista já conceituada no mundo fashion trouxe para o BFF uma síntese deo desfile apresentado na SPFW em junho deste ano. O México, país visitado pela estilista várias vezes, serviu de inspiração para o verão 2009. Frida Kalo, os azulejos típicos e as treliças usadas no artesanato mexicano foram alguns dos ícones escolhidos por Isabela no desenvolvimento da coleção.
O destaque principal vem para os bordados caraterísticos da estilista, cheios de metal, sianinha, moedas e dentes dourados. Hum...modelos descalças? Bom, a desculpa foi que o stylist quis assim mas eu acho que foi algum problema nos sapatos... mas enfim é verão, então vale!
Coleção comercial marcou o desfile da Ludovika
A marca das empresárias Clarissa Ludivico e Karina Szervinsk trouxe um verão clássico, prático e chique. O destaque desta vez vem para o uso de tecidos tecnológicos e da malha de bambu (afinal todo mundo hoje quer ser politicamente correto né?). A marca elegeu como hit dessa temporada o vestido fluido com capuz.
Cores neutras, formas amplas e estamparia que imitam pinceladas pontuam a coleção. Simples, prática e vendável. Ah, e vale lembrar: classificar uma coleção como “comercial” não é nenhum desmérito viu!? É apenas uma constatação que o trabalho foi voltado para uma rápida aceitação do mercado, afinal moda também é négocio né? Ponto positivo para as idealizadoras.
Cores fortes e muitas aplicações florais marcam o desfile de Mariá Araujo.
Mariá araújo prometia romantismo e delicadeza na passarela: "Se houvesse mais romantismo e mais delicadeza no mundo haveria menos violência" declarou a estilista no vídeo que antecedeu ao desfile. A delicadeza foi representada pela fluidez dos tecidos e o uso de cores neutras no começo do desfile. (Hum....mal o desfile começa e já ouço um chiado estranho...ih, acho que uma das caixas de som estourou...mas não atraplhou não!). Vestidos e blusas com camadas e camadas de tecidos leves em tons neutros introduziam a coleção, sempre pontuada por aplicações de flores de tecido em cores fortes como o vermelho e amarelo.
Quando a primeira paça colorida aparece, me chama atenção o uso de tantas informações em um só look. Blusa feita em camadas de alaranjado e cítrico, com fileira de flores de tecido clarinho e mais saia balonê em duas camadas, sendo uma verde e outra alaranjado, cores opostas que podem destacar ou desabar uma produção. Passado o susto a coleção segue em frente, agora com tecidos mais sólidos (aqueles que não são esvoassantes, sabe?) feitos de algodão clarinho com listas bem discretas no sentido do corpo, contrapostas com a aplicação de flores coloridas e mil babados. Aliás a Mariah parece ter adorado trabalhar com opostos nessa coleção!
A edição do desfile ficou confusa e não ajudou na evolução da passarela. O toque de acerto veio no final com a sequência de vestidos brancos cheios de aplicações também em branco. O detalhe nos acabamentos dos vestidos com barras desfiadas propositalmente deu um toque despojado sem forçar a um modernismo fake! Ponto positivo! A possível monotonia em tantos looks da mesma cor foi quebrada pelas sandálias rasteiras (meio gladiadoras, meio hiporongas) com aplicações de tachas ou totalmente douradas deram um UP na produção. Ah, copie essa ideia: os lenços na cabeça usados de forma meio camponesa além de ficarem estilosos ajudam a suportar o calor segurando o cabelo. Dica: aposte também nas bolsas carteira com alça para prender no braço, tendência certa para o verão! Combine com as pulseiras incŕiveis da Thaís Joi apresemtadas junto com a coleção.
Mãos que Criam: trabalho artesanal e ecologicamente correto.
Parece que finalmente o Brasil está olhando de forma mais carinhosa para os trabalhos artesanais feitos por cooperativas e Brasília, claro não se diferencia desta tendência. Já temos um grande número de grupos de artesãs unidas no ideal de fazer um trabalho criativo e com diferencial de mercado. A primeira cooperativa a desfilar nesta edição do BFF foi a Mãos que Criam, composta por 270 moradoras da Estrutural, bairro carente da cidade.
O desfile apresentado mostra muito mais uma preocupação ambiental, em trabalhar com a reaproveitação de materiais do que com um conceito de moda em si. Os looks são compostos basicamente por vestidos soltinhos (mas nada muito amplo) feitos em malha e com bordados que imitam uma trama (dando efeito de uma padronagem nas roupas). O uso de cores fortes deu o destaque necessário a coleção. Azul, alaranjado e verde foram bem pontuarados. Na verdade pode ser visto muito mais uma variação de cores do que propriamente de modelos. Destaque para o vestido longo amarelo que ganhou bordados coloridos e bem vivos, a cara do verão.
Vale lembrar que o Must have da coleção ficou por conta dos acessórios feitos de pedaços de jornal entralaçados e pintados com tinta a base de água, formando colares, pulseiras, braceletes e até bolsas com cara de cesto de palha. Outro grande hit da marca foi o uso de “retalhinhos” de garrafa pet, costurados com fios de nailon com pontas soltas propositalmente dando um efeito incrível em mega bolsas, um trabalho minucioso e super criativo. Cartõs telefônicos também foram usados na confecção das bolsas. Confesso que logo após o desfile fui correndo conferir esse trabalho bem de perto alías esse tipo de arte deve ser conferido bem de perto. Fui super bem recebido pelas simpáticas artesãs que me explicaram tudo sobre o trabalho! Ah, não posso deixar de citar as viseiras feitas também de jornal, lindas e chique! Hum...o único ponto baixo do desfile foram alguns fiozinhos soltos em uma peça (mas ninguém é de ferro né?). Ronaldo Fraga foi o consultor da coleção.
Fabiola Alves dá a volta por cima e apresenta coleção concisa e madura.
Depois de um momento não tão agradável na última edição do Claro Park Fashion, com uma coleção muito criticada e que não fez jus ao enorme talento da estilista, Fabíola retorna as passarelas do BFF com nova roupagem, mais segura e resolvida.
Agora a marca encotrou seu caminho certo, vestir as jovens mulheres do Jet Seter brasiliense. Já consigo ver esses vestidos circulando pelos salões das melhores festas da cidade. Insipirada nas obras do pintor Paul Klee, mais especificamente no quadro Jardim de Rosas, de 1920, a estilista (formada também em artes plásticas) flerta de forma inteligente com a arte.
Composta basicamente por vestidos de festa a coleção vem linda e esvoaçante em tons de vinho, rosé, marrom, bege e branco. Tecidos nobres e fluidos dão a delicadeza certa para essas mulheres clássicas e elegantes! Destaco o longo de chiffon de seda formado com listas lilases e rosa neutro, chique e moderno. Drapeados, babados e camadas são os pontos fortes da coleção. Gosto bastante dos brilhos em paetês furtacor que aparecem em alguns looks.
Na passarela o cenário era composto por móveis antigos remetendo a um ateliê de pintura, onde na abertura do desfile as modelos fizeram uma mini performance. A idéia remeteu ao desfile de lançamento da marca no primeiro BFF deixando clara a volta de Fabiola às origens. Trilha sonora incrível e edição perfeita. Os acessórios feitos pela designer Andrea Tibery casaram perfeitamente com a delicadeza da coleção. Hum...o único porém é: cuidado com o comprimento exagerado de alguns vestidos senão fica impossível andar sem medo de pisar na barra!
Sociedade carioca de 1970 inspira a coleção de estreia de Efigênia Costa.
Confesso que logo de cara me apaixonei pelo tema escolhido pela estilista. Adoro o glamour e a sofisticação da década de setenta no Rio de Janeiro. No vídeo de abertura do desfile Efigênia reforça a inspiração: “Pensei em mulheres como Danuza Leão, Dalma Calado e Mila Moreira”. Hum...essa apresentação promete! Ao som previsível (porém chique e sempre atual) de Garota de Ipanema surge a coleção.
O primeiro look é um vestido curto com corte de camisaria em cetim branco mas logo aparecem as cores e estampas característicos da época. A edição da coleção ficou confusa e atrapalhou um pouco o trabalho tão bem feito da estilista (viram a importância de um bom stylist?). O estilo “hipporonga” da década veio em peças leves e gostosas adaptados a essas Jet Setters. Adoro o longo de jersey azul clarinho com coletinho estilo bolero branco. Ponto positivo também para a sequência de peças em tons fortes de alaranjado(adoro a camisa com estampa de poás na mesma tonalidade), misturados com marrom e cores terrosas.
Os acessórios deram o tom certo, jóias incriveis criadas por Antônio Henrique Abinave excluivamente para Efigênia e os óculos enormes da Voriques ficaram perfeitos na composição dos looks. Os Kaftãs e túnicas deram um show a parte, ora lisos ora com efeitos de Tie-Dye sofisiticado. A alfaiataria bem feita cresceu na passarela. Acredito que só so vestidinhos com corte reto e seco poderiam ter sido descartados da passarela deixando mais lugar para os soltos e amplos que são a cara eterna do nosso verão. Ah, só cuidado com o Kaftã com uma manga só, apesar de criativo nem sempre é fácil de ser usado.
Ao fim do desfile a imagem de moda criada na passarela com todas as modelos juntas ficou bem melhor e mais enérgica do que o stlyst proposto e confesso, deu vontade de ter vivido os bons tempos do Regine's e da Hippopotamus, baladas famosas da frenética decada de 70. Ah, fiquei sabendo que Abinave vai lançar a coleção de jóias na loja do Gillberto Salomão no dia 18 deste mês, imperdível!
No finalzinho do primeiro dia a produção do evento resolveu apresentar os dois últimos desfiles de forma “casada”, ou seja, um logo em seguida do outro quase sem intervalo, sem que ninguém saísse da sala.
O primeiro deles foi da estilista Andrea Monteiro, filha da também estilista Nágela Maria (filho de peixe....).
A inspiração para o tema é colocada de forma clara e simplória pela própria estilista no vídeo de abertura: “Foi inspirada em uma princesinha de contos de fadas”. A trilha começa com uma voz típica dos disquinhos de histórias infantis tão famosos da década de 80: “Era uma vez....” As luzes de acendem e eis que em meio a um cenário que remete a um jardim surge uma Alice mirim, tal qual a do conto, passa correndo pela passarela e assim começa o desfile. Ao som de um funk pancadão entra entra o primeiro look, um vestido-tucano em vinil mega colorido e tropical, com as costas fechadas no estilo espartilhado e saia de frufru. É, essa Alice é bem modernosa, logo aparece com um vestido com corpo transparente preto com sutiã tipo biquini em paetê e aos poucos as cores vão surgindo vibrantes. Verde, laranja, amarelo e azul sempre em versões cítricas, com muita manga bufantezinha e volumes no lugar certo.
Assim entra na passarela uma hot pant toda em paetês com camisa de cetim preta, é essa Alice começa a mostrar cada vez mais um lado Lolita no melhor estilo “sexy ingênuo”. Gosto muito da forma como a edição brinca com a questão de uma moda comercial com conceito forte. Ponto forte da coleção são as estampas tropicais especificamente na blusa composta por babados em padronagem de onça, criando uma imagem forte e moderna. Os looks masculinos serviram apenas para dar uma apimentada na coleção, pois são básicos e clássicos. Ah, serviram também pra dizer que essa Alice vem sempre bem acompanha e que de boba não tem nada!!
Ah, adorei ver minha aluna Laisa (linda!!) na passarela, ela é realmente uma Alice moderna!!
A ONG Paranoarte encera o primeiro dia do evento.
O último desfile do BFF apresentou uma coleção bem diferente do que foi visto durante todo o dia. Uma moda mais experimental, (fiquei sabendo que as roupas na verdade não passaram por nenhum teste de resistência), ou seja são peças conceituais mesmo, dessas que a gente só vê no desfile. Composta excluvivamente por algodão cru tecido com tirinhas de bunners em tear manual dando um brilho incrível ao tecido.
A coleção é composta apenas por variações do mesmo conceito, sem grandes mudanças, tornando o desfile cansativo e monótino. É gente, o trabalho é incrível e super importante mas tem coisas que não ficam tão legais no formato de desfile, aliás esse é o tipo de trabalho que deve ser conferido bem de pertinho para termos a noção da dificuldade na produção.
As bolsas foram feitas de jornal e no mesmo conceito das roupas, tecidas com tiras de bunners reaproveitados. Destaque para a maxi bolsa com alça tipo bolsa de feira, lindas demais!!
Os sapatos foram confeccionados com base de crochê e fitas de bunners. A recilcagem de materias e o uso de resíduos têxteis é a marca forte da ONG, que gera renta para 100 mulheres do Paranoá.
Ronaldo Fraga também assina a consultoria da coleção. Destaque para os acessórios feitos em PVC pela designer Thaís Joi, espécie de bracelete usado na cabeça das modelos com rabo de cavalo saindo de dentro, simples e original!
Detalhes que amei:
- A mega projeção da sala de desfiles
- Ar condicionado em todo o evento (adoro!)
- Sala de imprensa organizadíssima
- Release de todos os desfiles
- Ver meus alunos trabalhando e aprendendo muito!!
- Encontrar muitos amigos e colegas
- O lounge da AD1 feito elaborado pelos alunos
Brasília Fashion Festival
De 14 a 16 de Novembro
Brasília Alvorada Hotel - Shtn Trecho 1 0 cj 1b bl C - Brasília, Tel: (61) 3424-7000
Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no site www.brasiliafashionfestival.com.br


