Restrospectiva Yves Saint Laurent
Prêt-à-porter para as massas, smoking feminino, coleção "Trapézio". Todas essas foram revoluções do "embaixador da cultura francesa", morto aos 71 anos de idade. O estilista francês Yves Saint Laurent faleceu no domingo, 1º de junho, aos 71 anos de idade. O legendário haute couturier foi o primeiro artista de seu porte a desenhar para as massas. A partir da década de 60, ele revolucionou a moda, criando o smoking feminino e dando fim à estética "cintura de vespa".
"Ele era mais do que um provocador, era um verdadeiro criador, anarquista libertário, lançando bombas no meio da sociedade. Assim, ele libertou as mulheres", comentou o sócio e parceiro Pierre Bergé. Desde 2002, Saint Laurent se recolhera à vida privada, após vender sua "YSL" à empresa francesa de marcas de luxo PPR. A notícia de sua morte, em conseqüência de um tumor cerebral de que vinha sofrendo há um ano, causou enorme consternação na França. Segundo o presidente Nicolas Sarkozy foi-se "um dos maiores do mundo da moda", o primeiro a elevar a alta-costura à categoria de arte. A ministra da Cultura Christine Albanel louvou-o como o "inventor da moderna moda feminina", composta de luz, sedução e desejo.
Complemento de Chanel
Yves Saint Laurent nasceu em 1º de agosto de 1936 em Oran, na Argélia, então colônia francesa. Desde criança foi influenciado pela paixão de sua mãe pela moda. Com apenas 17 anos, teve premiado um de seus vestidos, e no ano seguinte mudou-se para Paris, logo tornou-se assistente de Christian Dior. Três anos depois assumiu a direção da casa Dior, em seguida à morte do mestre. Suas primeiras coleções, entre elas a famosa "Trapézio", lhe valeram imediatamente a reputação de menino-prodígio – mas também de ruína – da moda parisiense. Segundo Bergé, o estilista recém-falecido complementou o papel de Coco Chanel: enquanto esta ofereceu a liberdade às mulheres na primeira metade do século 20, "YSL" lhes deu o poder na segunda metade.
Parceria afortunada
Em 1962 iniciou um novo capítulo, com a inauguração de sua própria grife, ao lado de Pierre Bergé. A união entre o sensível criador e o apaixonado admirador e gênio financeiro provou ser um golpe de sorte. A partir do estúdio de dois cômodos desenvolveu-se uma empresa com amplas ramificações. A logomarca "YSL" em letras entrelaçadas tornou-se conhecida no mundo inteiro. Quatro anos mais tarde, com a linha Rive Gauche, a Saint Laurent tornava-se a primeira casa de alta costura a colocar moda prêt-à-porter no mercado. Também no Brasil seu sucesso foi quase imediato.
Aprendendo com Picasso & cia.
Em 40 anos de carreira, "YSL" desenhou mais de 4 mil modelos. Ele reinventou a moda de calças para mulheres, criando um novo guarda-roupa básico para elas, que incluía trench coats, jaquetas de marinheiro e ternos. Em compensação, para a noite, o criador projetou vestidos de baile como que saídos dos contos de fadas. Ele integrou na moderna moda européia elementos dos robes cerimoniais chineses, do exotismo africano e do folclore alpino. A arte contemporânea foi outra importante fonte de inspiração para Saint Laurent, que vivia recluso, entre as numerosas obras de arte de seu apartamento parisiense de 600 metros quadrados. Os pintores foram seus mestres, na procura das formas básicas para a moda. Os modelos Saint Laurent prestam homenagem tanto às figuras geométricas de Mondrian quanto aos padrões da pop-art, ao cubismo de Picasso ou ao cromatismo exuberante de Matisse.
Honrarias e introversão
Yves Saint Laurent permanecerá um ícone da "Grande Nation". O ex-presidente François Mitterrand já o classificara como um embaixador da cultura francesa para o mundo, e nomeou-o Cavaleiro da Legião de Honra em 1985. Apesar de todo o renome e reconhecimento público, o artista permaneceu durante toda a vida tímido, introvertido e temeroso "Ele tinha um lado público e um lado privado", e este último, poucos conheciam, relembrou Bergé.
É colaboradora do Vitrine Capital. 21 anos, estudante de jornalismo, estagia como repórter da Veja Rio e na Assessoria de Imprensa Companhia da Informação. Trabalha como colaboradora para o Bureau de Pesquisa e Comunicação Meninas da Moda, no Rio de Janeiro


