Scrapbooking transforma lembranças em arte
Sites de relacionamento, blogs, fotologs... No ciberespaço brasileiro, milhares de pessoas já declaram sua paixão pelo scrapbooking, a arte de registrar os momentos especiais usando papel e muita criatividade. Mais do que um hobby ou uma forma de artesanato, o scrapbooking permite que a pessoa comum conte sua própria história com imagens, texturas e cores que, mescladas num conjunto harmonioso, se remetem diretamente às emoções.
A evolução da Brazil Scrapbooking Show, principal feira de produtos e técnicas para esse segmento no país, comprova o crescimento do interesse entre os brasileiros. Na primeira edição, realizada em setembro de 2005, o evento contabilizou mais de 5 mil visitantes. No ano passado, 6 mil pessoas compareceram à feira e, para este ano, a estimativa é que a VI Brazil Scrapbooking Show, que acontecerá entre os dias 17 e 20 de setembro, em São Paulo, atraia mais de 7 mil visitantes.
“É um público diferenciado, exigente, que busca o aperfeiçoamento constante”, afirma Rita Mazzotti, diretora da WR São Paulo Feiras e Congressos, empresa que promove a Brazil Scrapbooking Show. “Ao contrário de outras atividades manuais, o scrapbooking não é visto como uma possível fonte de renda; as pessoas que o praticam estão interessadas apenas em eternizar, de uma maneira muito especial, os momentos e as atividades importantes de suas vidas”, diz Mazzotti.
Engana-se quem pensa que os scrapbooks são exclusivamente álbuns de fotografia. Os trabalhos podem ser feitos em qualquer base que suporte papel, como cadernos, painéis e até caixas. O que importa é reunir e combinar elementos decorativos que “emoldurem” o fato que se quer registrar. Na maioria das vezes, esse fato central é representado por uma foto, mas é possível fazer arte também em torno do recorte do jornal com a lista dos aprovados no vestibular, da passagem aérea da última viagem ou do ingresso usado para ver o espetáculo do artista favorito.
O scrapbooking pode dar outra roupagem até aos tradicionais cadernos de receita. O mestre-cuca pode selecionar as melhores, transcrevê-las com letra caprichada e decorá-las com ramos de tempero e pequenas fotos dos ingredientes e dos utensílios de cozinha utilizados, por exemplo.
Além de fotos e papéis, há uma infinidade de materiais que podem ser usados no scrapbooking: tecidos, pedacinhos de roupas, rendas, adesivos, flores e folhas desidratadas, recortes de jornais e revistas, fitas e cordões, contas coloridas e até pequenos objetos, como botões, uma chave ou uma pulseirinha de identificação da maternidade. “O Brasil ainda não produz materiais específicos para scrapbooking, como papéis que não desbotam com o tempo e adesivos em formatos especiais, mas já existem várias lojas especializadas que importam esses artigos e participarão da Brazil Scrapbooking Show”, explica Mazzotti.
Arte secular
Os precursores dos scrapbooks provavelmente surgiram na Europa, por volta do século 14, quando o papel se tornou um produto mais acessível. Muitas vezes ilustrados, os commonplace books eram usados para fazer antologias personalizadas de textos em prosa e poesias. Isso se tornou tão popular que muitos livros passaram a ser editados com páginas em branco no final, para que os leitores pudessem incluir suas próprias anotações e ilustrações.
Havia também os friendship albums (também conhecidos como album amicorum e Stammbuch, na Alemanha e nos países baixos). Eles eram feitos principalmente por estudantes e continham, além de transcrições dos textos favoritos, autógrafos e declarações de amigos e professores. Nos álbuns das garotas, era comum encontrar fitas, flores secas e cachos de cabelo.
Em 1826, com a publicação do livro “Manuscript Gleanings and Literacy Scrapbook”, de John Poole, a arte dos álbuns de recordações ganhou impulso e se tornou mais popular. Muitos scrapbookers passaram a incluir folhetos de propaganda [ao lado], cartões religiosos e recortes de jornais em seus álbuns. Os decalques e as fotografias começaram a ser usados no final do século 19.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o scrapbooking viveu uma fase de declínio. Em 1980, porém, uma conferência promovida pelos mórmons, em Utah (EUA), provocou o ressurgimento e a “profissionalização” da arte. Nesse evento, Marielen Christensen apresentou 50 álbuns de família, que ela vinha confeccionando desde 1976. O sucesso foi tão grande que ela escreveu um livro sobre o tema e abriu a primeira loja norte-americana especializada em scrapbooking, que existe até hoje.
De lá para cá, o interesse pelo scrapbooking não parou de crescer. Mais empresas passaram a produzir materiais especiais e a febre pelo registro das lembranças e memórias ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos, chegando à Europa e, mais recentemente, ao Brasil, como poderá ser conferido na VI Brazil Scrapbooking Show.
VI Brazil Scrapbooking Show
17 a 20 de setembro de 2008
Centro de Eventos São Luís – rua Luís Coelho, 323 – São Paulo, SP
De 13h30 às 21h
Ingresso: R$10,00 (proibida a entrada de menores de 12 anos)
www.brazilscrapbookingshow.com.br
Rosa Arrais Assessoria de Comunicação


