Paciência tem limite
Não tenho paciência, nunca tive e nem sei se um dia terei. Poderia dizer que sim, sou a paciência em pessoa, para ter um texto poético e bonito, mas optei por abrir com a sinceridade de quem não se orgulha, mas se assume uma impaciente.
Tenho impaciência no trânsito, ele me irrita profundamente e as tartaruguinhas gentis que o fazem, mais ainda. Tenho impaciência com a dor, ela me faz perder tempo e a perda desse também me deixa impaciente. Tenho impaciência com gente rude, esnobe, irresponsável e interesseira, esses me testam como poucos. Tenho impaciência com o desamor, se não sabe amar ou não se dispõe, dê licença. Tenho impaciência com frases lentas, incompletas, filmes repetidos, não achar a ponta da fita adesiva, falta de objetividade, conversas improdutivas e gente muito menos improdutiva do que as conversas que praticam.
Como veem sim, sou impaciente, mas como disse não me orgulho. Creio que a paciência seja um exercício importante, até essencial, mas que fique claro que não quero ser testada. Uma pedra no meio do caminho pode me irritar, um poste idem, mas convenhamos que a eles ainda desculpamos, pois não agem por si mesmos, mas o que dizer das pessoas que provocam atritos desnecessários, inutilidade, falta de agilidade, deixando-nos em dúvida sobre se são pacientes ou tolos. Paciência sim, mas até um limite do respeito, passando daí, meu caro, serão meras desculpas esfarrapadas para as quais...não tenho paciência.

