Meninos de Papel
Foto: Vinicius Guarilha
Tão pequenos se esvaindo no tempo feito papel picado ao vento, cada dia um lugar. Cada lugar um dia, olhar inocente desafiando a indiferença dos que olham, mas não os vêm.
Deitados sobre papéis não há como lhes vigiar os caminhos. Eu sei, um abismo os separa dos sonhos de menino quando afinal forem homens. E os homens? A alguns tocas o coração e recebe pão a outros pela estética incomoda recebes pão e desprezo. Como estrangeiro entre os seus, vagando em terras alheias não, sem pão, chão, irmão...
Palavras escritas em jornal, não toca não move nem ofende, mas não corresponde. Juntas enfileiradas sobre o papel apenas sob elas em silêncio se aquece. Escreve sua história sem palavras sem tinta sem papel, seus pais, moços de papel já com letras desbotadas e história mal contada querem consertar, precisam de tinta e papel limpo.
Filho desta sim, mas gentil não a pátria amada, à luz do céu profundo feito papel picado ao vento sem amor, sem esperança terra descem.
De verdade! Hoje sou eu quem te estende à mão e te faz um pedido: levantem-se de sobre estes papéis, faça com eles uma espada e um chapéu de soldado e "marchem soldados cabeça de papel", por certo marcharás direto e não te levarão para o quartel, acode você e também a eles, fortes gigantes adormecidos em suas fortalezas indiferentes a sua pequenez. Avante sempre, não com violência, mas com alegria e vontade, não tenham medo, vejo mais força em sua inocência em que toda uma armada.
Eu queria ter um milhão de amigos e então a eles faria um pedido: só um pouco de si, de seu amor, de sua profissão, talvez, acolhida e dormida, amenize seus vícios sua dor, mas antes mostre um caminho se possível caminhe alguns passos juntos...
E vocês, meninos de papel, não peçam misericórdia, peçam tinta e papel.



